sábado, 12 de janeiro de 2013

Resenha: E Tem Outra Coisa... (Sexto livro do Guia)


Quem me conhece sabe que eu não faço o estilo purista, se foi Douglas Adams que escreveu ou se foi Eoin Colfer ou qualquer outro eu não iria deixar de ler, para mim o que importa é o conteúdo. Claro que tanto o Adams quanto o Guia merecem uma obra de qualidade, e isso Eoin não deixou de fornecer. Portanto larguem o preconceito, ou até mesmo a infantilidade de falar que E Tem Outra Coisa.. não deveria existir ou chamar Eoin de herege (!), é um livro muito bom independente de que série ele é ou de quem escreveu a série que ele continua.

Eu algumas vezes antes de escrever a resenha aqui dou uma olhada, vejo o que outras pessoas estão falando no Skoob e tal, e achei absurdo o que algumas pessoas falaram sem nem ler o livro. Eu não vou comparar esse livro com os outros, apenas irei falar o que eu achei legal e o que achei chato. Anyway, sigamos para a resenha.

Após a morte prematura de Douglas Adams em 2001 os fãs da série se sentiram abandonados, sem nunca mais ver uma nova aventura entre Arthur Dent, Ford Prefect, Zaphod e Trillian. Porém para a surpresa de todos Eoin Colfer lança um sexto livro para mais algumas viagens pela galáxia. 

E Tem Outra Coisa... é um livro que tem uma pitada de humor o tempo inteiro, ele é sempre alegre e colorido, e não tão raramente eu soltava pequenos risos durante a leitura, é um livro bem contínuo, sem altos e baixos que as vezes tiram o prazer da leitura. 

O meu erro foi querer lê-lo logo após terminar o quinto livro, pois o final do mesmo é tão bom que fiquei chateado de continuar, pra mim se a estória acabasse lá já estava muito bom, assim que comecei a ler o sexto o começo não estava me agradando muito e decidi parar ficando mais ou menos vinte dias sem lê-lo e dai eu voltei, e foi nesse instante que o livro começou a girar bem na minha cabeça.

Ele faz algumas críticas bem legais sobre a religião e sobre Deus (deuses) e mistura os mochileiros de sempre com deuses (Thor, Loki, Odin) e seres imortais, além de algumas vacas na metade do livro. É quando realmente tudo começa a ficar bem legal e atrapalhado (no bom sentido).

A estória e a escrita são fluídas e cativantes, e percebe-se que alguns personagens ganharam espaço e outros perderam, Zaphod está bem presente no livro, e sem dúvidas é o mais perigosamente louco de todos, e nesse livro está mais dopado ainda. Percebe-se o esforço do autor em manter o livro engraçado do inicio ao fim (Zaphod foi um jeito dele chegar nisso) e admito que ele não falhou, não ficou um humor forçado, apesar de ter algumas partes em que você pensa "cara, deixa quieto isso!" por que só servem pra encher a linguiça.

Falando nisso, o livro é o maior da série, com 368 páginas e admito que não adiciona nada a trilogia, ela é bem linear e algumas vezes te surpreende outras vezes nem tanto, a aleatoriedade tão presente nos livros anteriores naõ está presente com a mesma intensidade nesse. Outra coisa que caiu bastante foram as informações do Guia durante o livro, no começo é quase uma por página, quebra completamente a narrativa e ainda raríssimas as que são tão boas quanto a dos outros livros, isso fez o livro perder alguns pontos comigo.

No entanto ele melhorou bastante a descrição sobre os vogons, o funcionamento de seu sistema e a própria personalidade nojenta deles, a conversa entre o comandante Vogon e seu Constante (um Vogon evoluído) foram bem divertidas e sem dúvidas somou bastante no livro, pontos pro Eoin.

Quem eu acho que pisou na bola em alguns sentidos foram a editora, o livro tem vários erros de digitação, de todos os que li até hoje esse foi o pior, faltam letras ou colocam letras onde não deviam, algumas horas eu li e reli a palavra duas vezes até ver que era realmente erro do livro e não da minha interpretação.

Sem dúvidas a crítica que mais valeu foi a questão da religião, enquanto os outro livros abordavam diversos assuntos para criticar esse apenas abordou, sem uma critica inteligente em cima.

Resumo: Leiam, não é um livro ruim e não é porque foi escrito por outro sujeito que não merece ser lido, mas ao mesmo tempo não esperem que ele seja exatamente como seria um sexto livro do Guia escrito por Douglas, ele é menos crítico e seu gerador de improbabilidades é bem mais sútil, mas não deixa de ser bom em nenhum momento.

RECOMENDO!

E Tem Outra Coisa... Eoin Colfer, Editora Arqueiro, 368 páginas.

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